Climatério: as mudanças emocionais de que quase ninguém fala
Por: Marcos Villalba
Quando se fala em climatério e menopausa, a conversa costuma girar em torno do corpo: ondas de calor, ciclos irregulares, exames. Tudo isso importa. Mas muitas mulheres chegam a essa fase sem que ninguém tenha avisado que as emoções também mudam, e passam meses se perguntando o que está acontecendo com elas.
Sou Simone de Abreu Pinheiro, psicóloga, e atendo mulheres em terapia individual online. Neste texto, quero falar dos sintomas emocionais da menopausa e do climatério, e de por que eles merecem tanta atenção quanto os físicos.
Climatério, perimenopausa e menopausa: o que cada nome quer dizer
Os três nomes aparecem juntos, mas falam de momentos diferentes:
- Climatério: o período de transição da fase reprodutiva para a não reprodutiva. Pode durar anos.
- Perimenopausa: os anos em torno da última menstruação, quando os ciclos ficam irregulares e as mudanças costumam se intensificar.
- Menopausa: a última menstruação, confirmada depois de 12 meses sem menstruar.
As alterações hormonais dessa transição podem afetar o sono, a energia e o humor. Por isso, o acompanhamento médico é parte essencial do cuidado, e a saúde emocional também.
Sintomas emocionais da menopausa que pegam muitas mulheres de surpresa
Alguns sinais são comuns nessa fase:
- Irritação fácil e menos paciência com situações que antes você tirava de letra.
- Ansiedade, tristeza ou choro sem motivo aparente.
- Noites mal dormidas que afetam o humor no dia seguinte.
- Esquecimentos e dificuldade de concentração.
- Mudanças na autoestima e na relação com o próprio corpo.
- Diminuição do desejo e mudanças na vida íntima.
- A sensação de que a vida está passando rápido demais.
Muitas mulheres resumem tudo isso numa frase: “não me reconheço mais”. Ela é frequente, tem explicação e não precisa ser vivida em silêncio.
É depressão ou é menopausa?
Essa é uma dúvida comum, e a resposta nem sempre é simples. Tristeza, cansaço, irritação e desânimo podem aparecer tanto em quadros de depressão quanto nas mudanças do climatério, e às vezes os dois se misturam.
A avaliação médica, com ginecologista e, se necessário, psiquiatra, ajuda a entender o lado físico. Na terapia, olhamos para o que você sente, pensa e vive no dia a dia. As duas frentes juntas dão uma visão mais completa do que está acontecendo. Se a tristeza for intensa, durar semanas ou vier com perda de interesse por quase tudo, não espere passar: procure avaliação.
Uma fase que costuma coincidir com grandes decisões
O climatério raramente chega sozinho. Ele costuma coincidir com um momento em que muita coisa muda ao mesmo tempo:
- Os filhos saindo de casa e a necessidade de repensar a própria rotina.
- O cuidado com pais que estão envelhecendo.
- Questões de carreira: crescer, mudar de área, desacelerar ou se aposentar.
- Relações que precisam ser renegociadas, em casa e no trabalho.
- A sobrecarga de quem sempre cuidou de todos e também precisa de cuidado.
Decisões importantes tomadas num período de sono ruim e irritação tendem a pesar mais. Um espaço para pensar com calma ajuda a separar o que é cansaço do momento do que é um desejo real de mudança. Escrevi mais sobre esse momento de balanço no texto sobre crise da meia-idade.
Como a terapia pode ajudar
Trabalho com a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que olha para a relação entre o que você pensa, o que sente e o que faz. No climatério, é comum aparecerem pensamentos como “não sou mais a mesma”, “ninguém entende o que estou passando” ou “já passou da hora de mudar”. Na terapia, você tem um espaço para olhar para esses pensamentos com mais clareza, sem aceitá-los como sentença.
Também trabalhamos a rotina e o sono, a autoestima, a comunicação com as pessoas próximas e os planos para essa nova fase. Os objetivos são combinados com você desde o início. A terapia não substitui o acompanhamento médico: as duas coisas se completam.
Pequenos cuidados para começar
- Anote o que sente durante algumas semanas (sono, humor, irritação, esquecimentos) e leve essas anotações à consulta com a ginecologista.
- Converse com quem mora com você sobre o que está vivendo. Explicar ajuda a evitar mal-entendidos.
- Reveja as cobranças. Nem tudo precisa continuar exatamente como era.
- Cuide do sono com horários mais regulares e uma rotina de desaceleração à noite.
- Procure outras mulheres que estejam vivendo a mesma fase. Saber que não é só com você já alivia.
Quando procurar uma psicóloga
Se esses sinais estão durando, atrapalhando o trabalho, as relações ou a forma como você se vê, vale buscar apoio. Atendo mulheres nessa transição como psicóloga para menopausa e climatério, online para todo o Brasil e para brasileiras que vivem no exterior, sempre em português.
Se você está passando por uma crise ou tem pensamentos de se machucar, procure ajuda imediata: CVV (188) ou SAMU (192).
Simone de Abreu Pinheiro é psicóloga (CRP 05/60758), com especialização em Terapia Cognitivo-Comportamental pelo Instituto Cognitivo e extensão em Saúde da Mulher pela UNIFESP. Atende mulheres em terapia individual online, para todo o Brasil e para brasileiras que vivem no exterior, sempre em português. Site: simonepsi.com.
EM DESTAQUE
Conteúdo Relacionado

Climatério: as mudanças emocionais de que quase ninguém fala
08/11/2026
Eflúvio telógeno após Mounjaro: por que o cabelo cai depois de emagrecer
06/11/2026
Alopecia areata: o que é, quais são os sinais e quando procurar um médico
06/11/2026
Cuidados capilares: o que ajuda o cabelo no dia a dia e quando procurar um médico
06/11/2026
Transplante capilar: para quem é indicado e como funciona a cirurgia FUE
06/11/2026
Como montar uma rotina de exercícios em casa com conforto e equipamentos adequados
04/11/2026
Saúde masculina depois dos 40: cuidados para preservar disposição e bem-estar
04/11/2026
Como Escolher uma Bicicleta Ergométrica para Apartamento Pequeno: Espaço, Conforto e Praticidade
03/11/2026
Seguro Saúde Internacional: por que empresários e famílias estão ampliando suas opções de atendimento médico?
02/11/2026
Como contratar um plano de saúde pelo MEI e escolher a cobertura adequada
29/10/2026