Apneia do Sono: sinais, riscos e como tratar antes que afete sua saúde
Por: Marcos Villalba
A apneia do sono é um distúrbio respiratório caracterizado por pausas repetidas da respiração durante o sono. Essas interrupções podem durar segundos ou até mais de um minuto e se repetem dezenas de vezes por noite.
No primeiro parágrafo já vale reforçar: apneia do sono não é apenas ronco. Ela compromete a oxigenação do corpo, fragmenta o sono e desencadeia efeitos importantes no coração, no cérebro e no metabolismo.
O que acontece no corpo durante a apneia do sono?
Durante o sono, é normal que a musculatura relaxe. Na apneia obstrutiva do sono, esse relaxamento é excessivo na região da faringe, levando ao colapso parcial ou total da via aérea.
Quando o ar não passa:
- O oxigênio no sangue cai
- O cérebro entra em alerta
- O corpo desperta brevemente para voltar a respirar
Esses microdespertares são involuntários e impedem o sono profundo e restaurador.
Quais são os principais sinais da apneia do sono?
Os sinais podem ser noturnos ou diurnos, e muitas vezes quem percebe primeiro é quem dorme ao lado.
Sinais mais comuns durante o sono
- Ronco alto e frequente
- Pausas respiratórias observadas
- Sensação de sufocamento
- Sono agitado
Sinais ao acordar ou durante o dia
- Cansaço excessivo
- Dor de cabeça matinal
- Boca seca
- Dificuldade de concentração
- Sonolência diurna
Esses sinais não devem ser ignorados, especialmente quando persistentes.
Apneia do sono e ronco são a mesma coisa?
Não. O ronco é um sintoma, enquanto a apneia do sono é uma doença.
Segundo a American Academy of Sleep Medicine, a maioria das pessoas com apneia ronca, mas nem todo roncador tem apneia. Ainda assim, ronco frequente é sempre um sinal de alerta.
Quais são os riscos da apneia do sono para o coração?
A apneia do sono provoca hipóxia intermitente, ou seja, quedas repetidas de oxigênio no sangue durante a noite. Isso ativa o sistema nervoso simpático, elevando a pressão arterial e a frequência cardíaca.
Estudos do National Institutes of Health e do PubMed associam a apneia do sono a:
- Hipertensão arterial resistente
- Arritmias cardíacas
- Infarto do miocárdio
- Acidente vascular cerebral (AVC)
Tratar a apneia reduz significativamente esses riscos.
A apneia do sono afeta o cérebro e a memória?
Sim. O sono fragmentado e a baixa oxigenação comprometem áreas cerebrais ligadas à memória, atenção e regulação emocional.
Pessoas com apneia do sono não tratada podem apresentar:
- Déficit de memória
- Lentidão cognitiva
- Irritabilidade
- Ansiedade e depressão
Há evidências de que a apneia acelera o declínio cognitivo ao longo dos anos.
Apneia do sono está ligada ao ganho de peso e diabetes?
Está, e a relação é bidirecional.
A apneia altera hormônios como leptina e grelina, responsáveis pelo controle do apetite. Isso favorece o ganho de peso. Ao mesmo tempo, o excesso de peso piora a obstrução da via aérea.
Além disso, a fragmentação do sono aumenta a resistência à insulina, elevando o risco de diabetes tipo 2.
Como é feito o diagnóstico da apneia do sono?
O diagnóstico é realizado por meio da polissonografia, exame que monitora:
- Respiração
- Oxigenação
- Batimentos cardíacos
- Atividade cerebral
- Movimentos corporais
Pode ser feita em laboratório ou em casa, dependendo do caso. O exame define a gravidade da apneia e orienta o tratamento.
Quais são as opções de tratamento para apneia do sono?
O tratamento depende da gravidade, das características anatômicas e da adaptação do paciente.
O CPAP é sempre necessário?
O CPAP é o tratamento padrão para apneia moderada e grave. Ele mantém a via aérea aberta por meio de pressão positiva contínua.
No entanto, nem todos conseguem se adaptar ao uso da máscara.
O aparelho intraoral funciona para apneia do sono?
Sim. O aparelho intraoral para ronco e apneia do sono é uma alternativa eficaz, especialmente para casos leves e moderados ou para quem não se adapta ao CPAP.
Ele atua avançando a mandíbula, reduzindo o colapso da faringe e melhorando a passagem do ar durante o sono, com respaldo científico internacional.
Mudanças de hábitos ajudam no tratamento?
Ajudam muito e potencializam qualquer tratamento:
- Dormir de lado
- Evitar álcool à noite
- Manter peso saudável
- Tratar obstruções nasais
- Ter rotina regular de sono
Essas medidas reduzem a gravidade da apneia e melhoram a qualidade do sono.
Apneia do sono tem cura?
Na maioria dos casos, a apneia não tem “cura” definitiva, mas tem controle eficaz. Com diagnóstico correto e tratamento adequado, é possível dormir bem, reduzir riscos e recuperar qualidade de vida.
O pior cenário é ignorar o problema.
Conclusão: tratar a apneia do sono é proteger sua saúde
A apneia do sono é uma condição silenciosa, progressiva e potencialmente grave. Ela afeta o coração, o cérebro, o metabolismo e a qualidade de vida.
Buscar diagnóstico e tratamento não é exagero — é cuidado. Dormir bem começa por respirar bem durante o sono, e isso faz toda a diferença para viver com mais saúde e disposição.
Atenciosaente – Dr Paulo Coelho
FAQs – Apneia do sono
Sim, aumenta riscos cardiovasculares e metabólicos.
Na maioria dos casos, sim.
Sim, com CPAP ou aparelho intraoral.
Sim, se não tratada adequadamente.
Sim, é essencial para o diagnóstico.
Referências internacionais
- American Academy of Sleep Medicine (AASM)
https://aasm.org - National Institutes of Health – Sleep Apnea
https://www.nhlbi.nih.gov/health/sleep-apnea - Punjabi NM. The epidemiology of adult obstructive sleep apnea.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18250205/ - Peppard PE et al. Sleep-disordered breathing and cardiovascular disease.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23589584/
