Calvície: sinais e por que o diagnóstico vem primeiro
Por: Marcos Villalba

Perceber mais fios no travesseiro ou na escova assusta, e a primeira reação costuma ser procurar um produto. Antes disso, vale entender o que está acontecendo. A calvície é a principal causa de queda de cabelo em homens e também atinge muitas mulheres, mas nem toda queda é calvície. Saber a diferença muda o caminho.
O que é a calvície?
A calvície, chamada pelos médicos de alopecia androgenética, tem origem genética e hormonal. Em quem tem predisposição, alguns folículos são sensíveis a um derivado da testosterona, a di-hidrotestosterona (DHT). Sob a ação dela, o folículo diminui de tamanho a cada ciclo de crescimento, em um processo chamado miniaturização folicular. O fio nasce mais curto, mais fino e mais claro, até o folículo deixar de produzir um fio que se desenvolva.
Por isso a calvície não acontece de um dia para o outro. Ela vai se instalando ao longo de meses e anos.
Quais são os sinais?
Os sinais costumam aparecer aos poucos:
- Fios mais finos e curtos do que antes.
- Entradas que avançam ou coroa que rareia.
- Repartição que fica mais larga.
- Couro cabeludo mais visível sob a luz e quando molhado.
Nos homens, o afinamento costuma começar pelas entradas, pela coroa ou por toda a região superior da cabeça. Nas mulheres, o quadro é um pouco diferente e tende a deixar o cabelo mais ralo no topo, sem recuo das entradas. Por isso, a calvície feminina tem particularidades próprias.
Cada um desses sinais também pode ter outra causa. Por isso, nenhum deles fecha o diagnóstico sozinho.
Nem toda queda de cabelo é calvície
Uma queda intensa, que aparece de repente depois de uma doença, de um período de estresse forte, de um parto ou de uma mudança grande de peso, costuma ter outra explicação. É o caso do eflúvio telógeno, em que muitos fios entram ao mesmo tempo na fase de queda. Há ainda alopecias inflamatórias e quedas ligadas a deficiências nutricionais ou a doenças da tireoide.
Cada causa pede uma conduta diferente. Tratar a calvície quando o problema é outro, ou o contrário, atrasa a solução.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa na conversa: quando a queda começou, se há casos na família, se houve algum evento recente, que sintomas aparecem junto e o que já foi usado. Depois, o médico examina todo o couro cabeludo e, em geral, faz a tricoscopia, um exame que amplia fios e folículos e mostra o afinamento e outras alterações, mesmo antes de serem visíveis a olho nu.
Quando necessário, o médico pede exames de sangue ou, em casos selecionados, uma biópsia. O tratamento só deve começar depois que a causa estiver clara.

A calvície tem tratamento?
A calvície é uma condição crônica. O objetivo do tratamento é desacelerar o afinamento e preservar os fios que existem, e a resposta varia de pessoa para pessoa. Dependendo do caso, o médico pode combinar medicamentos, tratamentos feitos no consultório e acompanhamento regular. Em situações selecionadas, a cirurgia de transplante capilar pode ser considerada, sempre depois de avaliação individual.
Nenhuma opção funciona igual para todos, e nenhuma pessoa deve começar um medicamento por conta própria. Remédios têm indicações e contraindicações, e o uso sem orientação pode atrapalhar mais do que ajudar.
Quando procurar um médico?
Procure avaliação se você notar afinamento, recuo da linha frontal, couro cabeludo cada vez mais visível ou uma queda que dura mais de alguns meses. Quanto antes a causa for identificada, mais opções existem para acompanhar o quadro.
Na consulta com um médico tricologista, o cuidado começa pelo diagnóstico, e não pela prescrição de um produto.
Sobre o autor
Dr. Éric Aguiar é médico (CRM-RJ 123519-2), com atuação em tricologia e em cirurgia de transplante capilar, em Ipanema e na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Site: drericaguiar.com.br
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